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discoverazores.org

Fringe por Sara Miguel

2019-07-08

Minha primeira experiência Fringe

por Sara Miguel

E de repente já é Julho. De repente já não há mais Fringe. As semanas todas rabiscadas na agenda, as voltas e voltas circulares na ilha, a carrinha cheia de gente diferente dia a dia, os restaurantes e cafés invadidos por grupos barulhentos, esfomeados, de olhos brilhantes, tudo se esfumou entre a noite de um dia e a manhã do seguinte… Ficaram só os ecos, as lembranças agarradas a algumas paredes e muros, os milhentos grupos entre WhatsApp e Messenger em que se ancora em GIFs e partilhas a esperança de que as vidas normais e os usuais lugares não nos afastem de vez. Não, não fica só isso. Ficam memórias, muitas memórias. Ficam laços entre os de cá e os de lá, tão fortes, tão cimentados pela intensidade de dias muito longos, muito cheios e muito rápidos que sabemos que da próxima vez que se encontrem será como se nunca tivessem estado longe. Ficam aprendizagens e partilhas que nos fazem crescer e nos engrandecem sempre. Ficam inspirações que se tornam planos que se tornam acções que se tornam coisas feitas. Fica uma rede de arte concretizada - a material, que se olha e se toca uma e outra vez, e aquela que foi volátil e momentânea, mas que deixou marcas e transformou profundamente quem a viu.

Nunca vou esquecer o meu primeiro Fringe, aqueles dias loucos em que cheguei ao Pico de malas e bagagens para ficar e tudo à volta era um rodopio de artistas, amigos, festas, eventos, e tudo fazia muito mais sentido por ser assim. O espírito do Azores Fringe Festival (sobretudo no Pico como seu epicentro) é algo de único e sagrado, que só poderia acontecer em pequenas ilhas no meio do oceano - vêm pessoas de vários países em busca de partilha artística, mas também de algum tipo de oásis do rebuliço das suas vidas ou simplesmente de algo absolutamente novo, sem pesquisa, sem conhecimento prévio, sem expectativas. Vêm à surpresa, e o Fringe e o Pico surpreendem sempre! Às vezes como um murro no estômago, às vezes como um íman eterno, às vezes como uma paixão adolescente... E ninguém poderia ser melhor condutor das gentes e das artes do que o Terry Costa, que nos impele com um humor peculiar e uma afetividade incisiva a seguir caminho, a nunca esquecer o compromisso, a desafiar-nos a cada passo, a absorver tudo, a viver o presente até ao tutano. E suspeito que a ilha - as ilhas - ainda não lhe dão todo o mérito e valor que ele tem, fazendo aparecer do nada festivais inúmeros, qual mágico consagrado no centro de um palco de metro e meio! Ainda assim ele faz, não se escusa, não se cansa e não desiste, talvez por acreditar secretamente que um dia acordaremos e a noite terá trazido às mentes a consciência de que a arte é tão fundamental como o ar que respiramos ou a água que bebemos e em doses frequentes e sólidas nos oferece um bem estar vital incrível e uma expansão maravilhosa. E como tudo é mais urgente nas ilhas, ele sabe da necessidade e agarra a missão.

Comecei o meu primeiro Fringe a assistir aos espectáculos e workshops, a acompanhar os colegas artistas, a beneficiar das performances e da generosidade criativa de tantas pessoas bonitas e acabei-o fazendo as duas coisas que mais gosto de fazer - cantar e ensinar. Poder dar de mim ao festival através do Açores Canta deixou-me muito grata - depois de receber tanto, eu queria também dar para equilibrar a balança, para retribuir ao universo e para poder confiar a outros a semente da mudança... E ver o fácil que é ‘contaminar’ tantos com esta energia que nos envolve neste Junho, e o quanto todos desejam levantar as vozes ao vento para levar a mensagem faz-me acreditar convictamente que o mundo não está perdido e há uma esperança sólida para as artes e os artistas que fazem acontecer, e para o público que sabe receber. Enamorar-me-ei para sempre (novamente a cada dia) desta forma de respirar o novo e de comer a possibilidade. Amarei todas as pessoas que escancaram a porta ao Fringe tal como eu. Uma vez Fringe, para sempre Fringe - não há tatuagem que se entranhe mais fundo nem marca indelével que se veja de tão longe, cruzando canais e mares! É Fringe.

Fotografia by Pedro Silva 

Photographia by Davide Sousa 

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